Afinal, o que é o assédio sexual?

Na última semana, várias atrizes de Hollywood vestiram-se de negro para chamar a atenção de um problema que tem estado na ordem do dia: a agressão sexual. O tema é delicado e atraiu as luzes da ribalta depois da divulgação de investigações feitas ao produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein, suspeito de condutas impróprias.

 

Casos sérios

Dois jornais americanos publicaram, no ano passado, relatos de importunação sexual de Weinstein a várias atrizes e modelos. O Mundo apontou-lhe o dedo e outras histórias semelhantes, envolvendo outras pessoas, vieram a público. Muitas histórias foram então conhecidas. O assunto é sério, muito sério.

Mas, afinal, o que é isso de assédio sexual? Mário Cordeiro é pediatra e responde à questão. “Chama-se assédio sexual quando alguém quer usar o nosso corpo sem a nossa permissão, ou no caso de crianças e adolescentes, mesmo com a sua permissão. Isto inclui forçar a atos sexuais, mas também fotografar, exibir, colocar nas redes sociais, tocar, dizer coisas sobre o corpo que não gostamos ou que são ofensivas, fazer propostas mesmo que ‘só de boca’ mas que incomodam e perturbam”. O assédio sexual é crime público. É punido por lei.

“Uma coisa são os pais cuidarem do corpo, no banho por exemplo, ou um médico na consulta. Outra coisa é um adulto tentar tocar, mexer, apalpar, sobretudo nas partes mais íntimas, ou fazer comentários sobre o corpo que sugerem uma conotação sexual”, acrescenta o pediatra. Percebeste?

O teu corpo pertence-te e tens de cuidar dele. Há, como sabes, uma parte do corpo que é íntima. Por isso, as pessoas não andam nuas nas ruas e nas praias usam fato de banho.

O assunto do assédio sexual tem provocado várias reações. Catherine Deneuve, uma atriz muito conhecida, e outras 99 mulheres, escreveram uma carta que publicaram no jornal francês “Le Monde”. Essas mulheres referem que “a violação é crime”.  “Mas tentar seduzir alguém insistentemente ou de forma desajeitada não é, nem o cavalheirismo é uma agressão machista”, acrescentam.

 

Sinais de perigo

Sempre que o toque ou palavras de um adulto te fizerem sentir mal, se houver propostas indecentes, ou um contacto corporal inadequado, é preciso reagir. “Sem mentiras. Sem inventar coisas só porque não se gosta de determinada pessoa ou se quer arranjar uma intriga, mas relatando a verdade, mesmo que não haja propriamente uma violação mas quando há algo que causa desconforto”.

Deves contar a alguém da família, da escola, a um professor, a um adulto de confiança. Se há alguém que te intimida não deves ter problemas em dizer que te sentes mal ao pé dessa pessoa.

O pediatra Mário Cordeiro esboça um retrato dos agressores sexuais. “Não costumam usar violência física, mas seduzem, prometem, fazem a criança ou adolescente pensar que o que estão a fazer é um ato de amor ou de afeto, para depois ameaçarem se a vítima contar a alguém”. Mas, já sabes, deves sempre contar. Não guardes o que sentes dentro de ti.

 

ATENÇÃO!!!

Agressão sexual é crime

Os agressores sexuais devem ser denunciados e na maioria dos casos, mais de 85%, são do mesmo ambiente familiar.

É importante preservares a tua intimidade, não expores o teu corpo em imagens nas redes sociais, na Internet.

– A intimidade diz respeito ao teu corpo, mas também às tuas ideias. O teu corpo e as tuas ideias pertencem-te.

Sara Dias Oliveira