Passatempo de conto infantil / Um falso crime

O que se vê a partir do topo da torre que acolhe o “Jornal de Notícias”? Um vigilante habituado a fazer rondas no edifício, inaugurado em 1970, dá algumas respostas possíveis e o pontapé de saída para uma aventura que podes ser tu a completar. Semanalmente, vamos publicar as melhores histórias e ilustrações feitas a partir da história traçada pelo jornalista Augusto Correia. No final de cada trimestre, selecionaremos um vencedor na categoria de conto e outro em ilustração. A Sara Martins aceitou o desafio e é dela o conto de hoje.

Consulta o regulamento aqui e participa também.

 

Esta é a história que a Sara Martins nos enviou:

 

Após alguns segundos a observar o quadrado de cimento do cimo do edifício, o sr. Pereira apercebe-se de que lá em baixo, na casa de uma antiga amiga sua, um homem parece estar a preparar-se para assaltar a casa. Pensou em chamar a Polícia, mas na adrenalina do momento decide detê-lo sozinho. Desce os 14 andares do imponente edifício e só quando chega ao fundo é que se apercebe de que não faz a mínima ideia do que fazer.

As paredes e as portas da casa pareciam ser à prova do som, se calhar um ponto a favor do assaltante mas também contra o sr. Pereira, pois não conseguia saber o que se passava do lado de dentro.

Esperou uns momentos até decidir entrar em ação.

Quando finalmente ganhou coragem tocou à campainha. Passados alguns segundos um homem todo vestido de preto abriu-lhe um bocado da porta, sempre sem o deixar ver ou ouvir nada do que se passava lá dentro. O sr. Pereira, intrigado, decide perguntar ao homem:

– Desculpe-me se for demasiado intrometido, mas mora aqui?

– Sim, moro aqui – responde com acidez – Porque pergunta?

– Eu trabalho no edifício do JN e estava a verificar tudo lá em cima quando o encontrei com uma máscara a arrombar a porta, factos que, se mo permite, o faziam parecer um ladrão. Eu apenas

decidi vir aqui falar com uma antiga amiga minha, Carolina, que por acaso faz hoje anos. Podia falar com ela?

– Lamento mas não. Neste momento não dá muito jeito.

– Você é que sabe, mas eu apenas gostava de confirmar que está tudo bem e que não tenho nenhuma razão para chamar a Polícia.

– Pronto, pronto. Não exageremos. Na verdade eu casei com ela e vivemos os dois aqui. Eu estava assim vestido para lhe fazer uma surpresa, com todos os nossos amigos. Se quiser eu posso deixá–

lo entrar para confirmar tudo e dar-lhe os parabéns.

– Muito obrigado, agradeço-lhe imenso.

Após o sr. Pereira ter entrado confirmou que estavam todos bem e a fazer uma festa. Logo que encontrou a sua amiga foi falar com ela. Com todos os anos que passaram acabaram por ter muita conversa para pôr em dia.

O sr. Pereira acabou por passar o resto da sua noite em festa, e apesar de não ter sido a noite que tinha imaginado, acabou por se divertir imenso, para além de ter recuperado o contacto com a amiga de longa data.