A violência não é uma forma de amar

A violência não é uma forma de amar

Amar é cuidar. Amar é tratar bem. É elogiar, é acompanhar, é ser carinhoso. É estar ao lado nos bons e maus momentos. É ser feliz. Por isso, a violência não é uma maneira de expressar o amor que se sente por alguém e os ciúmes não são desculpa para atos violentos. Namorar é bonito e não deve ser estragado por comportamentos que não combinam com uma relação de amor. Na próxima quarta-feira, é Dia dos Namorados.

Gritar, chamar nomes pouco simpáticos, apontar defeitos e falhas dia após dia, controlar a roupa que se veste ou os amigos que se tem, aceder às redes sociais sem permissão, são atos violentos que não combinam com o amor.

 

Saber dizer não

A violência no namoro, como toda a violência, tem por base o controlo, o poder, o domínio, como explica Daniel Cotrim, psicólogo para as áreas de violência doméstica, de género e igualdade e assessor técnico da direção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). “Quem não nos respeita, quem não nos trata bem, não gosta de nós e não nos merece”, afirma.

A privacidade é um bem precioso e, por exemplo, não deves dar acesso às tuas contas nas redes sociais. “É fundamental aprender a dizer não quando não nos sentimos bem, quando estamos a ser privados de liberdade”, diz Daniel Cotrim. “Não deixar que alguém controle alguém”, acrescenta.

Perceber que se é vítima de violência no namoro não é fácil. Mesmo que custe compreender que alguém que amamos seja capaz de fazer mal e magoar, é muito importante contar o que se sente. Partilhar sentimentos, pedir ajuda ao pai, à mãe, a um professor, a um adulto em quem se confie. Confiar é uma forma de proteção.

 

 

 Sabias que…

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tem um número disponível (116 006) que presta ajuda. O apoio é gratuito e confidencial, não é preciso dizer o nome.

Um estudo realizado pela UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta – mostra que a violência no namoro está presente nos relacionamentos íntimos com 19% de atitudes de violência psicológica, 15% de perseguição, 11% de atos de violência nas redes sociais, 10% de atitudes de controlo, 6% de violência física e sexual.

Nesse estudo da UMAR, há muitos jovens, rapazes e raparigas, que consideram normais vários atos de violência no namoro. Ou seja, há ainda quem não tenha a noção de que magoar, humilhar, intimidar, fazer sofrer, não são atos violentos, que tudo isso não é amor.

Sara Dias Oliveira