Publicidade Continue a leitura a seguir

É hidrogénio, mas é verde. E é o quê, exatamente?

Publicidade Continue a leitura a seguir

É possivelmente a fonte de energia de que mais se fala atualmente. Mas como é que se produz? Quais são as vantagens e que relevância tem no contexto mundial atual? E desvantagens, há?

 

Armazenar é com ele

Antes de irmos ao hidrogénio verde, deixamos-te algumas notas sobre o hidrogénio em si. É o mais abundante dos elementos químicos, constituindo aproximadamente 75% da massa elementar do Universo e o mais leve de todos os elementos da tabela periódica. Geralmente, apresenta-se na forma molecular (H2), formando um gás inflamável, incolor, inodoro e insolúvel em água. E trata-se de uma molécula com grande capacidade de armazenar energia. Daí que haja um interesse crescente na sua utilização como fonte renovável de energia elétrica e térmica.

 

Cinzento, azul, verde

Há várias formas de produzir hidrogénio. Uma delas assenta num processo térmico, em que o vapor reage com um combustível do tipo hidrocarboneto. Seja ele o diesel, o carvão ou o gás natural.

Outra forma de produzir hidrogénio é através da eletrólise, recorrendo-se para isso a um eletrolisador que separa a água em hidrogénio e oxigénio. Quando a energia utilizada neste processo é 100% de origem renovável – é o caso da eólica ou da hídrica, por exemplo -, não acarretando assim emissões de carbono e outros gases com efeito de estufa, estamos perante o hidrogénio verde.

Já o cinza é o que é produzido a partir da queima de combustíveis fósseis. No caso do azul, o processo de produção é semelhante, só que, após a combustão, há captura e armazenamento do carbono emitido no processo.

 

A importância

E porque é que o hidrogénio verde é por estes dias tão popular? Por um lado, porque o nosso estilo de vida obriga a que produzamos cada vez mais energia. Em 2019, as estimativas da Agência Internacional de Energia apontavam para que até 2040 haja um aumento das necessidades energéticas que pode chegar aos 30%. Por outro lado, porque a neutralidade carbónica é um dos objetivos estipulados por países de todo o mundo até 2050. Além de que, face à guerra na Ucrânia, a União Europeia percebeu que não se pode dar ao luxo de depender de outros países nas questões energéticas.

 

Potenciais aplicações

O hidrogénio verde pode substituir o gás natural que alimenta os nossos esquentadores ou os nossos fogões, por exemplo. Mesmo que para isso seja necessário fazer alterações nos aparelhos que usamos atualmente. Pode ainda ser usado no setor dos transportes como combustível. Ou mesmo no setor industrial.

 

Não é um mar de rosas

Mas já diz o ditado que não há bela sem senão. E, portanto, o promissor hidrogénio verde também tem os seus calcanhares de Aquiles. Desde logo, o facto de este tipo de processo exigir maiores quantidades de energia do que outros combustíveis. Há também a questão de segurança. É que o hidrogénio é um elemento muito volátil e inflamável, exigindo-se medidas de segurança apertadas para garantir que não há fugas nem explosões. Já a questão dos custos não é consensual.

 

Texto: Ana Tulha
Ilustração: Freepik