Ucrânia vs Rússia: da união ao conflito iminente

Ucrânia vs Rússia: da união ao conflito iminente

A quezília entre os dois países é antiga, mas o último mês ficou marcado pela escalada de tensão face à ameaça de uma invasão russa iminente. O que se passa na Ucrânia? Quais são as intenções da Rússia? Que papel tem a NATO neste frente a frente?

O território ucraniano, situado no leste da Europa, tem estado sob tensão, principalmente no último mês, com o acumular de tropas russas na fronteira (cerca de 130 mil militares). O movimento militar russo acontece depois de o presidente Vladimir Putin ter ficado descontente, em outubro, com o ataque da Ucrânia às forças separatistas a favor da Rússia que dominam as regiões ucranianas em conflito (Donetsk e Luhansk).

Mas os confrontos entre a Ucrânia e a Rússia não são de agora. Kiev, atual capital ucraniana, chegou a ser capital do império russo, que data do século IX. Desde a união dos dois países em 1654, e até 1991, quando se dissolveu a então União Soviética, os territórios da Ucrânia e da Rússia foram o mesmo país.

A NATO (aliança militar formada atualmente por 30 países, em que se promete defesa mútua no caso de um ataque externo à organização) expandiu-se depois a leste, incluindo antigos estados soviéticos. Este avanço fez com que a Rússia sentisse as suas fronteiras ameaçadas. Apesar de a Ucrânia não ser membro da NATO, tem uma promessa de adesão desde 2008, tendo já derrubado um presidente pró-Rússia, feito exercícios militares com esta aliança e recebido armamento dos EUA.

Quando a Ucrânia se aproximou do Ocidente, em 2014, a Rússia respondeu, anexando ilegalmente o território ucraniano da Crimeia. A relação entre os dois países tem-se mantido tensa desde então.

 

O objetivo de Putin

 

Vladimir Putin considera que os laços entre a NATO e a Ucrânia podem tornar o território ucraniano numa base de ataque de mísseis. Além disso, a aproximação da Ucrânia à NATO e à União Europeia é também vista pelo presidente russo como uma ameaça à sua gestão autocrática. Putin tem apoiado, por exemplo, a manutenção do ditador da Bielorrússia no poder. Possíveis luzes de democracia e prosperidade na Ucrânia podem gerar protestos contra a gestão de Putin nas vizinhas Bielorrússia e mesmo na Rússia.

Sem confirmar as intenções de invasão, Putin mantém a Ucrânia sob tensão e com receio de um potencial avançar das tropas. Perante a ameaça latente, os líderes de diversos países tentam chegar a acordos diplomáticos que previnam o escalar da situação, como foi o caso do encontro entre o presidente francês, Macron, e Putin, do qual saiu a promessa de “garantias concretas de segurança”.

O presidente russo, que sempre se mostrou saudoso da União Soviética, pode manter-se no poder até 2036. O mandato atual termina dentro de dois anos, mas, aproveitando a alteração à lei que fez recentemente, pode estender por mais dois, de seis anos cada.

 

Texto: Sara Sofia Gonçalves
Foto: Sergey Dolzhenko/EPA